22/09/2020 19:53

Com texto emocionante de colega associada, APCEF-PR homenageia Ivo Branco

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Para lembrar o saudoso amigo Ivo Branco, a associada aposentada da Caixa, Olga Pchek, escreveu um texto emocionante, quase uma carta, falando sobre sua vida e carreira. Por meio de publicação, a APCEF-PR homenageia esse economiário aposentado, que atuou no meio associativo e era considerado uma pessoa muito gentil e talentosa. Aos 81 anos, Ivo morreu no último sábado (dia 19), deixando saudades entre familiares e amigos.

Confira na íntegra esse belo texto:

Ivo

"Um grande amigo, um caráter admirável, um coração de grande bondade, um  companheiro sempre presente, uma pessoa tranquila (zen), elegante no trato com as pessoas, a gentileza em pessoa, sempre divertido e alegre."  

Já com a saudade apertando o peito, essas são algumas definições que encontro nas mensagens saudosas dos amigos no Facebook, com as quais concordo plenamente.

Eu acrescentaria a todos os adjetivos, que Ivo Branco - sem gozação, como ele divertidamente se autoapresentava, era uma pessoa de múltiplos talentos, os quais, como todas as pessoas nobres como ele, não costumava ostentar.  

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Nascido no seio de uma família musical, seu pai Ismael Branco era chefe da Banda Militar e professor de música, ensinando a tocar vários instrumentos, passou o amor pela música a seus quatro filhos homens. Além da música, a poesia faz parte da família. Dona Lia Alves Branco, mãe do Ivo, era irmã da avó do nosso mais reconhecido poeta, Paulo Leminski.

Antes de entrar na Caixa, Ivo tocava bateria no conhecido conjunto Beppi e Seus Solistas, que tinha entre outros componentes talentosos, o tecladista Gebran Sabag. Segundo os que tiveram oportunidade de ouvi-lo tocar, a opinião é de que era um grande baterista. Também se arriscou na composição, em parceria com o seu irmão Waltel Branco, músico mundialmente conhecido, compositor e arranjador.

Passando no concurso para trabalhar na Caixa, teve que escolher entre ser um músico ou um economiário, visto que a alta administração da empresa não via com bons olhos a exposição de um artista. E assim, a Caixa ganhou um competente empregado, seu único emprego na vida, e o mundo da música perdeu um grande artista.
Dinâmico e irrequieto, Ivo, além das suas funções como empregado da Caixa, engajou-se na vida associativa. Junto com a diretoria da época, participou ativamente da fundação da sede da APCEF-PR, inaugurada em 1978, no bairro do Uberaba.

A veia artística não o abandonou e, no início dos anos 80, junto com outros colegas, amantes da arte de Molière, ajudou a criar o Grupo Kaxa de Teatro, patrocinado pela APCEF-PR, atuando como ator e na produção, desde a criação até a extinção do grupo, cerca de dez anos depois. Ivo divertia-se em cena, improvisava quando ocorria algum problema e dava suporte aos colegas quando estavam inseguros. Poderia se dizer que era um líder nato. Permito-me transcrever as palavras da colega Edneia Chagas: "grande companheiro de cena, sempre presente, sempre tinha uma palavra de apoio."

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"A pessoa mais zen que conheci", como diz o colega de teatro, Antonio Carlos Domingues da Silva, Ivo era um admirador da cultura indiana. Quando alguém estava tenso ou com alguma dor, aplicava uma técnica de meditação ou uma massagem do-in. Essa admiração pela Índia o levou para uma viagem de dois meses pelo país, onde mergulhou na cultura e nos costumes dos indianos. A viagem dos sonhos, que fez sozinho, pois ninguém quis acompanhá-lo na aventura, deixou sua mãe cheia de preocupação, mas conseguiu se virar bem. Era capaz de ficar horas contando as suas experiências e vivências na Índia.

Mas, ele não era só meditação e arte. Também foi um esportista, um grande jogador de tênis. Talvez o lado zen, aliado ao preparo físico, fazia com que ele conseguisse fazer as jogadas certeiras, desconcertando seus adversários.

Em 1998 se aposentou e continuou com as atividades associativas na APCEF e na AEA-PR, a qual se dedicou, como voluntário, orientando os colegas, principalmente nas questões jurídicas, com o seu conhecimento como advogado. Também foi o criador do boletim AEA em Notícias, que mais tarde transformou-se em jornal e, posteriormente, em revista. Querido e admirado, Ivo dedicou-se à AEA-PR desde a sua aposentadoria até o presente momento, quando a sua luz parou de brilhar no plano terreno e tornou-se uma estrela.

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Fica a lembrança dessa pessoa de múltiplos talentos, amigo querido, um tio que foi um pai, segundo sua sobrinha Cecilia, enfim dessa pessoa maravilhosa, que cumpriu lindamente sua missão neste mundo.
Imagino que no céu, neste momento, deve estar acontecendo um lindo concerto, o encontro de uma família de músicos virtuosos e poesia de Paulo Leminski.

 

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Vá em paz, meu amigo!

Olga Pchek (Além de sua atuação na Caixa, ela tem grande envolvimento no meio associativo).

 

 

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